quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Retrospectiva da Década - A dupla derrota da direita em 2010

A oposição conservadora perdeu a eleição presidencial e afundou-se no pântano da desagregação. Para o futuro, precisará decifrar o enigma da enorme aprovação popular de Lula no final do governo.

Por José Carlos Ruy

A direita, capitaneada pelo PSDB e pelo DEM, com o PPS como coadjuvante, sofreu uma dupla derrota em 2010.

A primeira foi causada pela alienação de dirigentes políticos que não compreenderam as mudanças políticas ocorridas nos últimos oito anos e acreditaram que seu discursinho chocho baseado na “competência” e na “boa governança” ainda podia sensibilizar um eleitorado beneficiado porque governo que, pela primeira vez em décadas, teve o bem estar do povo e da economia e a soberania nacional entre suas principais prioridades. Foi a derrota da alienação de gente que nunca falou a linguagem do país e dos brasileiros, mas a dos donos do dinheiro. Vivendo ainda em um passado político superado, sonharam com uma vitória fácil sobre a candidata das forças democráticas, progressistas e patrióticas, fizeram uma iníqua campanha eleitoral e perderam.

A outra derrota foi a da soberba. O candidato tucano, autoungido para a disputa presidencial, colecionou adversários particularmente entre seus próprios partidários e aliados. Agindo como se tivesse direito por la gracia de dios ao mandato presidencial após Lula, como os fundamentalistas religiosos que o cercaram pareciam crer, começou fugindo de qualquer consulta democrática dentro de seu próprio partido, atropelou as pretensões do tucano mineiro Aécio Neves, fez uma campanha errática, e perdeu, deixando um saldo de desagregação dentro de seu próprio partido, o PSDB.

A derrota da alienação
Estas duas derrotas começaram a ser desenhadas já no final de 2009, quando houve o embate com Aécio Neves. E a pretensão tucana era do tamanho do bico da ave. A campanha ainda não estava oficialmente nas ruas e a revista Veja pretendeu fincar a imagem de Serra como um “pós-Lula”. Imaginaram que a autopropaganda de um Serra mais preparado o ajudaria a vencer uma Dilma que, diziam, era o “poste de Lula”. Calculavam que, mal aberta a campanha eleitoral e a propaganda no rádio e na tevê, Serra decolaria. Mas sua carreira foi, como registrou naqueles meses o jornalista Elio Gaspari, uma cavalgada rumo ao nada.

Para desespero do tucanato, já no início de julho Dilma e Serra estavam empatados nas pesquisas de opinião, na faixa dos 39%, e a popularidade de Lula explodia, beirando os 80% e alimentando as expectativas favoráveis em relação a Dilma Rousseff, numa projeção crescente que se manteve até o final da disputa e consagrou a vitória de Dilma e das forças avançadas reunidas em torno de sua candidatura. Era a “onda vermelha” que já se prenunciava.

Serra colecionou descalabros. A escolha do vice foi um desastre provocado pela prepotência do candidato, que não levou em conta nem ouviu seus aliados e, no final, improvisou indicando um vice sem envergadura para o segundo principal posto da República, o de substituto legal do presidente. E que trouxe consequências danosas para uma aliança política trincada como a que se reuniu em torno de José Serra.

O destempero tucano face a uma realidade política que se recusava a seguir o roteiro imaginado pela politicologia emplumada começou a se traduzir também na baixaria que passou a dominar a campanha. Serra ainda mantinha um comportamento ambíguo. Ora ainda se apresentava como um “pós-Lula” e uma espécie de herdeiro ilegítimo do presidente (chegou a apresentar, indevidamente, a imagem de Lula em seu programa de televisão). Mas usou imagens fortes e caluniosas, sugerindo a conivência do governo com o tráfico de drogas, com as FARC e com a criminalidade, e a complacência o governo boliviano que, disse Serra, era cúmplice do contrabando de drogas para o Brasil.

Ainda em maio, Serra introduziu o tema do aborto na campanha, reafirmado numa sabatina na Folha de S. Paulo (“considero o aborto uma coisa terrível”, disse), caro aos religiosos mais carolas e conservadores, na campanha eleitoral. Era um afago na hipocrisia conservadora que, algumas semanas depois, custaria caro ao candidato tucano.

Se a derrota não tem paternidade assumida, o prenúncio dela não é um bom conselheiro – foi o que se assistiu nos arraiais tucanos desde o mês de julho, quando a campanha de José Serra caminhava aos cambalhões. O tucano apelou para o “discurso do medo” e começou o festival de acusações falsas, saídas da boca do candidato, do vice, de seus aliados ou da grande mídia. O noticiário e a campanha foram inundados, assim, com acusações de espionagem do segredo fiscal de um cardeal tucano, Eduardo Jorge, que serviria para elaborar um dossiê anti-Serra. Depois, as acusações envolviam também a filha do candidato, Verônica, como vítima de espionagem. Depois começaram as alegações de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rompia com a liturgia (e com uma pretensa neutralidade partidária) do cargo ao participar da campanha de Dilma.

Mesmo assim, a derrota tucana ia ganhando cores firmes e fortes. No início de agosto, um mês depois da abertura oficial da disputa, a popularidade de Lula seguia na casa dos 80%, a rejeição ao nome de José Serra era alta, e Dilma abria uma vantagem de dez pontos sobre ele.

Já em meados de agosto o gosto da derrota aparecia em previsões de que a eleição seria decidida no primeiro turno, e a favor de Dilma, cujo desempenho nas pesquisas era crescente, repetindo aliás a aprovação do presidente Lula e de seu governo.

Calúnias e mentiras
A cara feia da derrota começava a aparecer no próprio campo tucano, onde candidatos a governador do PSDB ou aliados de Serra escondiam qualquer referência a seu nome em seus santinhos, adesivos e cartazes para não contaminar suas próprias candidaturas com a rejeição ao candidato da direita. Calculou-se na época que os Estados onde Serra era rifado por seus próprios aliados tinham, juntos, nada menos que 94 milhões de eleitores (70% do eleitorado nacional).

O mau desempenho de Serra e a tentativa de construir obstáculos para Dilma caminharam juntos. Em setembro Serra mudou seu slogan de campanha para uma hipotética — e defensiva — “hora da virada" e seus partidários passavam agora a rezar por um fato bombástico que pudesse mudar o quadro. As acusações de espionagem na Receita Federal se acentuaram, os ataques midiáticos contra a candidata se repetiam e, mesmo assim, o eleitorado parecia indiferente a eles, e as pesquisas de opinião mostravam que Dilma continuava muito à frente de Serra no apreço popular.

Pode-se ouvir então outro mantra nos acampamentos tucanos, o mantra da “mexicanização” entoado por analistas tucanos que, ante a derrota, viam uma evolução político-eleitoral semelhante ao que ocorreu no México cuja política foi dominada, entre a década de 1930 e o ano 2000, por um único partido o PRI (Partido Revolucionário Institucional), que elegeu todos os presidentes naquele período. Argumento pobre, que não prosperou até mesmo porque se o Brasil não é o México, o PT e seus aliados não formam um PRI e a escolha do presidente da República é uma prerrogativa livre do eleitorado.

Teses igualmente esdrúxulas e desqualificadoras da escolha popular começaram a circular, como aquela segundo a qual a democracia requer alternância de partidos à frente da Presidência. Ora, quem escolhe os ocupantes do mais alto cargo da nação não são “teóricos iluminados” em busca da legitimação de seus próprios interesses, mas o eleitor que manifesta sua vontade na solidão da urna eletrônica.

Em setembro, no auge do desespero tucano, a revista Veja socorreu Serra com as acusações contra a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra e seu filho, por tráfico de influência. A Folha de S. Paulo tentou engrossar o caldo com uma denúncia de irregularidades no BNDES que caiu no ridículo quando o próprio banco estatal divulgou uma nota deixando claro foi o desconhecimento do jornal e de seu repórter sobre os critérios de funcionamento da instituição que fundamentou uma denúncia tão estapafúrdia como a tentada pelo diário paulistano.

Apesar do bombardeio, Dilma parecia refratária aos ataques e continuava favorita nas pesquisas, a ponto do diário espanhol El País prever, no dia 20 de setembro, que José Serra teria uma “derrota humilhante” em 3 de outubro.

A retórica da baixaria foi fortalecida, quase na véspera da eleição, pela exibição pelo programa eleitoral de Serra de vídeos extremamente ofensivos aos partidários de Dilma, retratando-os como pitt bulls e demolidores da democracia. A reação negativa foi tão forte que Serra não teve outra alternativa senão renegar publicamente aquelas peças publicitárias que, suspeita-se, ele próprio teria aprovado mas diante do insucesso disse desconhecer sua autoria.

Dilma chegou à véspera da eleição com 55% das intenções de voto, Lula com a aprovação recorde de 85% ao seu governo. Mas o eleitor decidiu dar um tempo e levar a decisão para o segundo turno, e Dilma não alcançou a maioria necessária para vencer em 3 de outubro. Ela teve 47,6 milhões de votos (47% do total), Serra teve 33 milhões (32,6%) e, uma surpresa, Marina Silva teve 19,6 milhões (19,3%).


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- ENCONTRANDO DEUS -

"Não existe nada tão comovente nem mesmo atos de amor ou ódio como a descoberta de que não se está sozinho." Autor desconhecido.

O velho sábio, satisfeito com todo o conhecimento que adquirira através dos anos, com tudo o que acumulara com seu trabalho, percebeu que andava triste; desmotivado em relação à vida, sentiu, então, necessidade de conversar com alguém de seu nível intelectual e experiência. Lembrou-se, então, de Deus.

Há quanto tempo não pensava Nele; há quanto tempo desistira de contatá-lo, já nem sabia mais. -Curioso! somente agora, mais velho, pleno de conhecimento e com toda a tranqüilidade que me oferecem as minhas riquezas, é que estou sentindo falta de Deus. Por que será? Também - continua ele a matutar - neste mundo violento, nesta vida atribulada, quem é que consegue encontrar Deus? Assim pensando, providenciou cuidados adequados para seus bens materiais, para a família e partiu para o deserto em busca de Deus. A cada dia mais, vai penetrando naquela imensa desolação. Água, levara o essencial; comida, apenas, para não morrer de inanição. Assim vai ele, meditando, jejuando e a cada dia mais sozinho. Por fim; extenuado, sedento e faminto resolve abandonar a busca e permitir que a morte o leve até Ele.

Quando começa a pressentir a proximidade dela, uma voz suave vinda de não sabe onde - dando até a impressão de vir de dentro de sua própria mente - o chama dizendo: "Meu filho, por que buscas a Mim, aqui no meio do deserto? "Ele desperta daquele torpor e, mesmo fraco, tem forças para circunvagar o olhar em busca da Origem daquelas palavras. Mas, nada vê. Quando pensa em abandonar-se novamente, a mesma voz o chama dizendo: "Meu filho! Eu estou aqui, em nosso ponto de encontro. Aqui, dentro de teu coração". -Vá; não blasfemes ! Afasta-te e deixa, ao menos, que eu morra em paz. -Não te atemorizes. És parte de mim. Tu Me carregas, inconscientemente, em tuas células e Me contatas através do coração, como sempre fizeste, antes de te tornares "rico" e "sábio".

Estávamos em contato, quase permanente, quando oravas nas ruas, através de um sorriso amoroso dirigido a um velho triste ou a uma criança carente, que também era Eu. Caminhavas Meu caminho, quando o teu dízimo era um pão dado ao faminto da matéria ou uma palavra de carinho ao teu irmão, sedento de amor.Tu eras Eu, nos instantes em que tuas mãos acolhiam e amparavam a tua irmã mais velha que, já alquebrada, labutava com dificuldade na caminhada terrena. Por estes motivos que te enumerei e mais outros tantos, é que não me procuravas. Não sentias falta da Minha Presença porque, naqueles momentos, estava ativa a Minha Essência em ti.

Estamos inevitavelmente ligados, sempre. Somente não o percebes, porque está te faltando, agora, o amor espontâneo, a doação que te encaminha a esta percepção natural de nossa ligação eterna. Filho, ouve com atenção estas palavras, para que teu coração as tenha gravadas, quando despertares:

AAAMAAA ! E, somente assim, perceberás a Minha Presença em ti.

Por Carlos Gama

A JANELA E O CASTIGO

Certa vez, dois homens estavam seriamente doentes na mesma enfermaria de um grande hospital. O cômodo era bastante pequeno e nele havia uma janela que dava para o mundo. Um dos homens tinha, como parte do seu tratamento, permissão para sentar-se na cama por uma hora durante as tardes (algo a ver com a drenagem de fluido de seus pulmões). Sua cama ficava perto da janela.

O outro, contudo, tinha de passar todo o seu tempo deitado de barriga para cima. Todas as tardes, quando o homem cuja cama ficava perto da janela era colocado em posição sentada, ele passava o tempo descrevendo o que via lá fora.

A janela aparentemente dava para um parque onde havia um lago. Haviam patos e cisnes no lago, e as crianças iam atirar-lhes pão e colocar na água barcos de brinquedo. Jovens namorados caminhavam de mãos dadas entre as árvores, e havia flores, gramados e jogos de bola.E ao fundo, por trás da fileira de árvores,avistava-se o belo contorno dos prédios da cidade.

O homem deitado ouvia o sentado descrever tudo isso, apreciando todos os minutos. Ouviu sobre como uma criança quase caiu no lago e sobre como as garotas estavam bonitas em seus vestidos de verão. As descrições do seu amigo eventualmente o fizeram sentir que quase podia ver o que estava acontecendo lá fora...ficando todos os dias mais feliz e se recuperando.

Então, em uma bela tarde, ocorreu-lhe um pensamento: por que o homem que ficava perto da janela deveria ter todo o prazer de ver o que estava acontecendo? Por que ele não podia ter essa chance? Sentiu-se envergonhado, mas quanto mais tentava não pensar assim, mais queria uma mudança. Faria qualquer coisa!Numa noite, enquanto olhava para o teto, o outro homem subitamente acordou tossindo e sufocando, suas mãos procurando o botão que faria a enfermeira vir correndo. Mas ele o observou sem se mover... mesmo quando o som de respiração parou.

De manhã, a enfermeira encontrou o outro homem morto e, silenciosamente, levou embora o seu corpo. Logo que pareceu apropriado, o homem perguntou se poderia ser colocado na cama perto da janela. Então colocaram-no lá, aconchegaram-no sob as cobertas e fizeram com que se sentisse bastante confortável.

No minuto em que saíram, ele apoiou-se sobre um cotovelo, com dificuldade sentindo muita dor, e olhou para fora da janela.

VIU APENAS UM MURRO !!

(autor desconhecido)

O AMAR E O AMOR

Um esposo foi visitar um sábio conselheiro e disse-lhe que já não mais amava sua esposa e que pensava em separar-se. O sábio escutou-o, olhou-o nos olhos e disse-lhe apenas uma palavra:- Ame-a! E logo se calou.- Mas, já não sinto nada por ela!- Ame-a! disse novamente o sábio.E diante do desconcerto do esposo, depois de um breve silêncio, disse-lhe o seguinte:"Amar é uma decisão, não apenas um sentimento; amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um substantivo, um exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja preparado porque haverá pragas, secas ou excessos de chuvas, mas, nem por isso, abandone o seu jardim. Ame seu par, ou seja, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê afeto e ternura, admire e compreenda-o. Isso é tudo. Ame, simplesmente ame!" A inteligência sem amor, lhe faz perverso. A justiça sem amor faz você implacável. A diplomacia sem amor faz você hipócrita. O êxito sem amor faz você arrogante. A riqueza sem amor faz você avaro. A docilidade sem amor, faz você servil. A pobreza sem amor faz você orgulhoso. A beleza sem amor faz você fútil. A autoridade sem amor faz você tirano. O trabalho sem amor faz você escravo. A simplicidade sem amor deprecia você. A oração sem amor faz você introvertido e sem propósito. A lei sem amor escraviza você. A política sem amor deixa você egoísta. A fé sem amor deixa você fanático. A cruz sem amor se converte em tortura. A vida sem amor não tem sentido. Autor desconhecido.

Reconhecimento:

"Glória aos heróis que traçaram o nosso destino na geografia do mundo livre, sem eles o Brasil não seria grande como é." - Cassiano Ricardo, poeta